20 de nov de 2010

Arte que fala da arte, arte que re-liga - por Dalila Teles Veras

Acabo de voltar de uma longa conversa com artistas (júlio, sueli, rafael, damara, moisés, guedo, márcia, bia, eduardo, carlos, carlos, cristina, coligações, interessados em geral). Falamos de arte com a naturalidade com que acordamos, comemos, tomamos banho, dormimos. A arte e a política, a arte e o cotidiano, a arte como modo de vida.
Eis a ata, apropriações indébitas que, secretária ad hoc, sem convite, assumo e assino:
reflexões sobre movimentos
(nome que vira projeto)
a cidade vista como nunca antes
explosão
arte não sacralizada, possível para todos
território expandido
idéias coligadas
a paisagem noturna do ir e vir
ninhos e casulos
proximidade com a violência
a poética da violência em fichas presidiárias
a co-responsabilidade com a violência
saco aparentemente vazio, cadáver adiado
a violência presente sem que seja presenciada
luz verde que apontar para a banalização
ausência de cordialidade
o recado das ações públicas nos objetos domésticos
já que a rua é de ninguém, responsabilidade nenhuma
os passos obscuros andam em círculo e apontam
a política tão distante e escondida
presente nas coisas não procuradas
buscas involuntárias que se amarram em fios
e (re)significam
cem mãos e cinqüenta cabeças, vivas e mortas
linhas mitológicas que diferenciam e ligam
desconfortos e aberrações, emoções negativas
humanos e velhos sentimentos em rostos atuais
babel urbana, guernica global
fio condutor que abre para assuntos paralelos
a realidade que tem como característica ser invisível
ainda não digeridas pelo humano
coisas incompreensíveis
especulações sobre parábolas do mistério do universo
descartar os rebeldes, os custosos para o estado, os incômodos
apertar o botão - suicídio não pecaminoso
(500 pessoas desaparecem por dia no Brasil – apertaram o botão?)
na periferia da periferia, um fusca - detrito
a periferia seres apáticos, detritos
flâmulas vermelhas ao vento (eine rote linie)
eterno e perigoso retorno – área de guerra e conflito
protegida por tapumes
a obra a partir do ouvido, sem visto ser
a obra produzida pelo som
um ser e seus fios, buraco no tórax
marionete (amarrada ou conduzida?)
pontas desconhecidas
seres engravatados grampeados
sexo comprado com dinheiro público
tv substituída pela Internet
fala que não fala nada
discurso que parece transparente
mas não é
mas não é...

Aqui já sou eu, Cristina Suzuki, agradecendo a disponibilidade e disposição de todos que estiveram ontem no encontro e a todos que são sempre muito delicados comigo.