18 de jun de 2011

MOSTRA CARNE FRESCA - Minas Gerais

Carnes maduras, porém frescas
06/06/2011 - Por Mauro Morais

Multiplicidade talvez não seja a melhor forma de definir uma mostra coletiva. Pode soar redutor demais reunir todas as obras num mesmo contexto interpretativo. Na exposição Carne Fresca 2011, que inaugura na próxima sexta-feira, dia 10, às 20h, na galeria Hiato – Ambiente de Arte, a ideia principal é estabelecer o espaço de cada criação, visto a própria uniformidade do projeto. O uso do termo amadurecimento pode ser mais apropriado, já que o termo pode ser incorporado à todas as obras.

Sob o tema O limite do novo, o edital desse ano foi lançado em março, prevendo a seleção de jovens artistas e a homenagem a um veterano. Após um longo processo, a banca, responsável pela seleção e composta pela professora do Instituto de Artes e Design da UFJF Rosane Preciosa, e os artistas plásticos Ramon Brandão e Petrillo, chegaram a doze nomes. “Para mim os trabalhos selecionados revelam que estes jovens artistas estão compromissados com modos de ver, sentir e pensar diferentemente do que se pensa.”, analisa Rosane.

Com propostas variadas Alessandra Fonseca (rizza), Ana Luiza Affonso, André Castanheira, Carlos Eduardo Oliveira, Chadas Ustuntas, Cristina Suzuki, Edson Rodrigues, Frederico Oliveira, Gustavo Machado, Julia Milward e Luiz Gonzaga se encontram no mesmo espaço, que ainda recebe a veterana Andréa Senra, como artista convidada. “Esse projeto visa mostrar que há uma grande produção de arte em Juiz de Fora. A ideia é movimentar, contribuir com a cena local”, explica Petrillo, membro da banca e responsável pela galeria.

Novos limites

De um projeto de intervenção no prédio do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora – criação de Ana Luiza Affonso – a um labirinto representativo de uma composição musical – obra de Chadas Ustuntas –, a exposição revela inúmeras interpretações do tema genérico, proposto como “alfinetada” pela galeria.

“Acredito que o novo está na produção contemporânea. E seus limites estão em como podemos utilizar nossa produção diante de um longo percurso da História da Arte”, afirma Alessandra Fonseca, que assina artisticamente como rizza, e expõe fotografias numa caixa de luz (backlight). Utilizando a mesma linguagem, o jovem André Castanheiras reproduz em fotografias fragmentos de uma construção, simulando uma explosão. “Todos os trabalhos escolhidos me pareceram mais consistentes em suas pesquisas. Revelavam um núcleo com força de desdobramento, de ampliação de rumos”, avalia Rosane Preciosa.

A força sugerida também encontrou ecos no humor de Cristina Suzuki, que versa sobre clichês cotidianos numa crítica ácida à contemporaneidade. Num tom semelhante, Edson Rodrigues estréia no cubo branco falando sobre lixo. “É interessante ver os inúmeros caminhos escolhidos por esses artistas. Há uma visível ousadia, e isso move o Carne Fresca. Essa ideia de experimentar, de arriscar é fundamental, e é o que perseguimos”, diagnostica Petrillo.

Apesar de já apresentar uma carreira sólida, somando mais de dez exposições, Andréa Senra marca, na mostra, seu retorno à produção artística. Em 2009 a artista e professora envolveu-se com o doutorado, feito em Portugal, e deu uma pausa na arte. “O trabalho dela é extremamente maduro, e soma, em muito, às outras obras, já que é fruto de uma intensa pesquisa, de uma imersão nas reflexões acadêmicas”, observa Petrillo, sugerindo o espaço do veterano, na mostra que expõe, com clareza, os limites entre multiplicidade e diversidade.

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